"Convictions are more dangerous enemies of truth than lies." -Friedrich Nietzsche "

Eu não acredito em astrologia

A Astrologia não é uma religião, é o estudo dos movimentos planetários e da correlação destes com a nossa vida na Terra. Crer é uma palavra que implica um sentimento de que algo existe ou é verdadeiro, especialmente algo que não necessita de ser provado – e não tem a ver com o estudo da astrologia, e por isso, Eu não creio em astrologia.

E você? A Astrologia ganhou fama através das colunas dos horóscopos e dos nossos esforços colectivos – você gosta da forma como a nossa profissão é vista? Um dos equívocos mais populares é que as pessoas vêem a astrologia como um assunto em que temos que acreditar, mas a astrologia não é fé. A simples afirmação – Eu acredito na astrologia – aumenta a reputação duvidosa da nossa profissão.

O público em geral tem um grande fórum onde aprender astrologia, fórum que forma o conhecimento básico principal para se formar opinião acerca da astrologia – os horóscopos diários, semanais e mensais. E quando esse público contacta com astrólogos muitas vezes faz afirmações do tipo que acredita ou não acredita em astrologia. Como responde você?

Recentemente apresentei quatro palestras sobre “Psicologia e Astrologia” a 150 estudantes de uma turma de Psicologia, e a pedido da professora deles. O que é que estas duas áreas têm em comum foi o cerne da conversa. Antes de apresentar as palestras tive várias conversas longas com a professora, que é muito religiosa.

Uma das suas maiores preocupações era a de que o grupo não deveria ser ofendido, já que muitos dos seus estudantes provêem de famílias muito devotas. A expectativa é que a minha abordagem ao tópico fosse a partir de uma perspectiva profissional e académica para estudantes de 17-18 anos. Foi-me pedido que preparasse um guião detalhado da minha palestra, para ser examinado pelo director da escola.

Durante 77 minutos apresentei definições da astrologia – o que é e o que não é. Defini a astrologia como uma linguagem de símbolos e não como uma ciência, e pelo facto de não encaixar nos actuais padrões científicos de escrutínio, nem como uma arte, visto que tem demasiados componentes científicos e pode ser aprendida sem qualquer talento artístico. Dei aos estudantes uma breve história da astrologia, descrevendo como e quando foi ensinada nas universidades e onde pode agora ser estudada. Não é maravilhoso que tenhamos o Kepler College para acrescentar à nossa credibilidade profissional?

Discuti os tipos de personalidade básicos de Briggs-Myers e comparei-os aos arquétipos astrológicos, que descrevi com maior detalhe. Além disto falei de Carl Jung, de astrologia e mitologia. De modo a demonstrar a diferença entre um horóscopo de jornal e o verdadeiro horóscopo mostrei aos estudantes o mapa de George Bush e ilustrei o alcance limitado do signo solar em astrologia, deixando apenas visível o Sol na folha de acetato.

Quando regressei da conferência da OPA recebi 150 cartas de agradecimento dos estudantes. Deixem-me partilhar alguns dos comentários desses jovens adultos para demonstrar porque penso que não devemos sublinhar que acreditamos em astrologia.

"Gostaria de aproveitar esta oportunidade para lhe agradecer a visita em nome da comunidade astrológica à nossa turma " "A sua palestra tão interessante, como informativa ". "Descobri um novo respeito pela astrologia, sempre considerei os horóscopos demasiado vagos e que aquilo só podia significar que a astrologia não era válida." Não sabia que a podíamos estudar como uma profissão e que tinha uma longa história. "Fiquei de certa forma intrigado com os signos solares e lunares, a classificação de elementos dos símbolos; Fiquei impressionado com a complexidade da astrologia." "Vejo-a agora mais como uma ciência e não como qualquer tipo de religião". Estas frases representam as afirmações mais comuns.

Fiquei entusiasmada por ter a oportunidade de ensinar a 150 jovens adultos que a astrologia não é um jogo de sala de estar, mas um estudo sério. Tive a oportunidade de mostrar que a astrologia é uma ferramenta útil, e assegurar aos estudantes com convicções religiosas de que também não se tratava igualmente da minha fé. Sempre afirmei a qualquer pessoa que estivesse a ouvir que eu não acredito em astrologia, mas que a uso como uma ferramenta para me ajudar a entender a vida em todos os seus aspectos.

Será isto ser “picuinhas” com as palavras? Não penso que assim seja, porque as nossas afirmações definem as premissas básicas da razão porque é que praticamos astrologia ou porque a estudamos. Se tivermos orgulho profissional na nossa escolha de carreira, então penso que servimos melhor a sociedade definindo a astrologia de acordo com isso. Reparou que alguns dos estudantes assinalaram que me viram como representante da comunidade astrológica? Como representamos nós a nossa profissão?

As palavras têm peso e escolher as mais indicadas é de extrema importância. Por favor considere substituir a afirmação – Eu acredito em astrologia – por algo que não implique fé e crenças. Lembre-se fui vista como representante da nossa comunidade e de cada vez que falamos de astrologia é desse modo que vamos ser apreendidos. Somos nós que criamos a astrologia de signo solar, que afirmamos que a astrologia é algo em que acreditamos, e somos nós que damos e continuamos a dar à astrologia a sua reputação, para o melhor e para o pior. Você acredita em astrologia – Eu não.

© Anne Massey 2001

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Primeiros direitos de publicação concedidos à Organization of Professional Astrologers. O artigo apareceu no Boletim do Inverno de 2002.
Anne Massey é presidente do Fraser Valley Astrological Guild, membro da ISAR, OPA e da Finnish Astrological Association, e tem Certificado Profissional de Astrologia.

First printing rights granted to the Organization of Professional Astrologers. The article appeared in the Winter issue 2002. Translation provided by Rita Moura of the Portuguese astrological Journal, which offers articles both in English and Portuguese. Second printing rights given by author. http://www.jornal-astrologia.com

Anne Massey is the president of the Fraser Valley Astrological Guild, a member of ISAR, OPA and the Finnish Astrological Association, and a Certified Astrological Professional. Anne - short bio.

© Anne Massey 1988-2002

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