É tão fácil ignorar a 6ª casa, pela sua reputação de ser uma casa aborrecida. Para mim representa o sal da terra. Sem ter em conta buscas mais transcendentais - todos temos que viver nesta terra numa forma mais ou menos organizada.
Penso na história infantil da Cigarra e da Formiga. A formiga preparou o inverno, juntou reservas de comida e madeira para fogo, para estar preparada para a vinda do inverno. A cigarra apenas brincou, brincou. E no final a formiga teve pena de uma cigarra com frio e fome que lhe apareceu à porta.
Essa formiga não representa a sexta casa? Deixo-o tirar as conclusões quanto ao signo e casa da Cigarra (terá ficado preso na quinta, já que apenas queria brincar e divertir-se?). Apenas tenho o meu nodo sul na sexta casa - a atenuante do século.
Não é uma casa de 'glamour', é antes um lugar sólido e fundamentado. Não será aqui que aprendemos a apertar os atacadores dos sapatos, a abrir a caixa das bolachas ou a lata da sopa? É aqui que aprendemos a lidar com as ocupações diárias, as tarefas que temos que desempenhar para enfrentar a vida - o básico: comer, dormir, trabalhar e não apenas sobreviver, mas sim fazê-lo com êxito.
Quer a terceira como a sexta casa são regidas por Mercúrio, mas a qualidade das casas e os assuntos no domínio de cada uma delas são únicos e diferentes.
Penso na terceira casa como um lugar onde acumulamos conhecimento básico e informação necessária ao desenvolvimento e na sexta aplicamos esse conhecimento e desenvolvemos essas habilidades. A 6ª casa é uma casa de rotina, onde você aplica o que aprendeu e vai fazendo-o continuamente. Uma aprendizagem que se torna parte do quotidiano diário, que você consegue fazer automaticamente e sem pensar.
A inspiração da sexta casa é observar e admirar que esse trabalho de braços pode ser um poema ou uma estante para livros. Os frutos do seu trabalho podem e devem manifestar-se aqui.
A 6ª casa é trabalho - tipicamente "por rotina". Trabalhos de secretariado e clericais, na perspectiva em que apelamos aos serviços e aos conhecimentos de outros no sentido de pôr no papel (burocrático), no computador ou no gravador. Profissões nos cuidados de saúde é outro dos temas da 6ª casa. Podem ser tarefas rotineiras, mas ao aprender o automatismo nessas tarefas, assim como a falar, a mente fica liberta para se expandir, para novas capacidades.
As capacidades que temos são as únicas ferramentas que usamos para um serviço ou trabalho. Tornar-se astrólogo requer muito de um esforço inicial da terceira casa, e quando trazida à sexta torna-se numa rotina: a aprendizagem dos símbolos, das regras, do cálculo de mapas, etc. Apenas quando obtemos determinadas capacidades é que então somos capazes de interpretar mapas, aplicar o que lemos e memorizámos na terceira casa, depois de apuradas as capacidades técnicas.
Quando você aprende a fazer algo tão bem, isso tornou-se uma rotina, e não tem assim que focar a sua mente na realização dessa tarefa. A extensão natural é construir para além dessas capacidades. Não é mais um aprendiz, mas sim um homem do ofício. E para se tornar um mestre tem que aprender o próximo nível. Penso que a mestria das capacidades ou talento está precisamente aqui na mundana, aborrecida sexta casa. E existe sempre algo mais perfeito nesta não tão aborrecida sexta casa.
A sexta casa trata de assuntos de saúde - quando não estamos bem, temos que "aprender" acerca daquilo que nos incomoda, para podermos "tomar conta" do nosso bem-estar. Hábitos alimentares caem na sexta casa, assim como comida saudável e medicinas alternativas. Muitas planetas aqui podem originar problemas de saúde, mas mesmo isso resulta em conhecimento quanto à saúde. Aqui aprendemos sempre a aplicar o conhecimento obtido; por vezes pode ser um verdadeiro desafio.
A sexta casa tem a ver com o serviço aos outros; Virgem analisa e categoriza o que sabe, e então aplica. Os Gémeos podem apenas fornecer o conhecimento dos livros ou aquilo que ouviram; Virgem dá um passo em frente. Pega na teoria e aplica-a, para fazer o trabalho ou a tarefa, num entediante passo a passo até que o produto final seja digno de perfeição, minuciosamente virginiano.
Virgem tem a ver com o detalhe e Gémeos tem a ver com a acumulação desses detalhes. Virgem é crítico porque estuda os factos por detrás da informação. Penso que Virgem é o Guia do Consumidor (Vendas) ou a análise do mercado de valores. Virgem pode ainda ser a enciclopédia, embora pense que Júpiter também pode estar envolvido nisso.
As pessoas da sexta casa são os colegas de trabalho e aqueles com que lidamos na rotina diária, são os nossos hábitos e as aquelas terríveis tarefas. Entre as pessoas da terceira casa incluem-se os nossos vizinhos, irmãos, assim como a outra parte da nossa vida diária - o ambiente de todos os dias.
Planetas na sexta casa podem descrever pessoas que são prestativas, que ajudam. "O que é que posso fazer por ti?" é o mote delas. Sentirem-se apreciadas é importante, mas em todo o caso não é muito confortável para elas. Talvez alguma relutância em receberem é a razão para não ouvirem um obrigado.
É tão fácil aceitar o que a sexta casa tem para oferecer como garantido, seja para si ou seja aquela pessoa que está sempre disponível para lhe oferecer ajuda.
Não ter planetas na sexta casa não quer dizer que a casa seja insignificante. O seu regente estará por algum lado e em comunicação com outras energias planetárias. A casa pode estar vazia, mas isso não significa que não esteja ninguém em casa. A inexistência de planetas aqui pode ser uma benção, porque o regente da casa pode funcionar com menor colaboração ou interferência num ponto vantajoso de outra casa.
Todas as casas mutáveis são de aprendizagem e informação; a terceira e a sexta são casas de Mercúrio e a nona e a 12ª de Júpiter. Com Júpiter tem menos a ver com o "self", já que Júpiter tem a ver com a partilha e com o ensino, o que seria difícil de concretizar sem acrescentar um esforço à terceira e sexta casa.
O aperfeiçoamento da terceira casa são as coisas que aprendi. O aperfeiçoamento da sexta casa são as capacidades e a experiência que adquiri. Na sexta casa aquilo que aprendi torna-se em capacidade e experiência adquirida.
© Anne Massey 1988-2002
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